Orquídeas desde a fundação de Joinville
Os primeiros imigrantes se instalaram em Joinville a partir de 9 de março de 1851. Ao iniciarem a derrubada de árvores para a construção de suas rústicas casas, de imediato perceberam a quantidade de orquídeas, exuberantemente nelas alojadas. Sequiosos de beleza para amenizar a dura realidade de suas vidas nesse ambiente hostil, recolhiam e colecionavam essas plantas. Vez por outra reuniam suas orquídeas num só lugar, para admirar e comparar a variedade de texturas, cores e perfumes. Não lhes passara, então, pela mente, que estes eram os primeiros passos para a criação, num futuro que não viveriam, de um evento que reuniria multidões enternecidas com sua beleza.
Trajetória de uma linda festa
Em 1936 Joinville já era uma comunidade organizada e assemelhava-se às pequenas cidades européias. Então com 13 mil habitantes, as ruas ainda não eram calçadas, mas para encontros sociais e atividades culturais já havia alguma estrutura, como a Sociedade Harmonia Lyra, criada em 1858. Esse era o reduto preferido da elite joinvilense, também em sua nova sede, inaugurada em 21 de outubro de 1921. A idéia de uma exposição de orquídeas nasceu nesses encontros informais de fim de tarde, em que participavam figuras como Norberto Bachmann, Adolfo Trinks, Theo Mostel, Sérgio Vieira, Paulo Schlemm, Adalberto Schmalz, integrantes das famílias Colin, Boehm, Lepper entre outros cultivadores de orquídeas. Assim, na edição de 18 de agosto de 1936, o Kolonie Zeitung trazia nas suas páginas a notícia de uma exposição de flores – orquídeas, cactos, plantas ornamentais e também de arte domiciliar. Por decisão do comitê de organização, de 28 de novembro a 02 de dezembro de 1936 realizava-se a 1ª Exposição de Flores e Artes Domiciliares.
O brilho da EFA
Realizada na Sociedade Harmonia Lyra, reunindo orquídeas, flores, plantas ornamentais, trabalhos manuais, objetos de arte e antiguidades, a exposição foi reconhecida como EFA. O sucesso surpreendeu os organizadores e a presença de personalidades como Nereu Ramos, então governador do Estado de Santa Catarina marcou o evento. O êxito redobrou o ânimo dos idealizadores da EFA, para seguirem com mostras anuais. A comunidade passou a intensificar o cultivo de orquídeas, e as mulheres se esmeravam na confecção de artes domiciliares e selecionavam suas mais belas peças de decoração e antiguidades para as exposições. A EFA foi uma iniciativa importante, que despertou atitudes como a solidariedade e voluntariado, seguidas pela AJAO e trazendo seus reflexos para a atualidade. Os colecionadores reuniam suas orquídeas e a população cedia flores e plantas ornamentais dos seus jardins para enriquecer as exposições. A inclusão das artes domiciliares, objetos raros e antigos nas exposições foi outro fator positivo da EFA. No campo das artes plásticas significou uma porta aberta para os artistas que, além da oportunidade de mostrar seus trabalhos, acrescentavam brilho e beleza às exposições, como as obras do escultor Fritz Alt, presentes nos jardins da EFA desde a primeira edição. O crescente interesse pelas orquídeas fez nascer em 19 de julho de 1938 a ACAO – Círculo Catarinense de Amadores de Orquídeas. O objetivo dos integrantes era exibir os seus belos exemplares de orquídeas, o que, apesar dos ocasionais desentendimentos com a EFA, aconteceria por mais de três décadas. A Campanha de Nacionalização decretada em 1938, pelo presidente Getúlio Vargas, durante a Segunda Guerra Mundial interrompeu a continuidade normal do evento. A censura sobre a prática da língua alemã restringiu o evento nos anos 1942 e 1943 em pequenas mostras, sendo por isso desconsideradas da contagem oficial da Festa das Flores. Depois daqueles anos difíceis, os membros da EFA e da ACAO retomaram o entusiasmo e a vontade de gerar e difundir a beleza que só a natureza e hábeis mãos de artista são capazes de criar. Esta é uma marca que persiste até hoje no coração dos associados da AJAO - Agremiação Joinvilense de Amadores de Orquídeas, assim denominada a partir de 1949.
Festa das Flores, novo conceito
A partir de 1959, a EFA e a AJAO passaram a organizar mostras independentes, multiplicando as atrações e aumentando ano a ano o número de visitantes. Essa concorrência, nos anos 1967 e 1968, exigiu uma comissão de coordenação e a festa (por iniciativa do comunicador Ramiro Gregório da Silva) passou a chamar-se Fenaflor – Festa Nacional das Flores, e, após dois anos, “Festa das Flores”. A EFA continuou na Harmonia Lyra, enquanto a AJAO buscou outros locais para a sua exposição. Em 1959 foi realizada no prédio da União do Comércio; de 1960 a 1969, em 1973, 1974, 1976 e 1977, na Sociedade Ginástica de Joinville; em 1975, na Catedral Diocesana de Joinville; em 1970, 1971, 1972, 1974 e 1978 a 2002, no Pavilhão da Expoville; em 2003 e 2004, no Expocentro Edmundo Doubrawa. Em 2005 a festa retornou para a Expoville, onde vem ocorrendo até hoje. Na década de 1970 a Festa das Flores passou por significativas mudanças. A característica de festa comunitária foi substituída por um novo foco, o de evento turístico. A criação do departamento de Turismo pela prefeitura de Joinville aliviou em parte a AJAO, até então responsável exclusiva pela organização da festa. O governo de Joinville começava a visualizar o turismo como uma nova fonte econômica, e a Festa das Flores passou a significar um produto a ser divulgado. A festa foi incluída nos calendários de eventos turísticos estaduais e federais, enquanto a qualidade e a variedade dos atrativos paralelos também foram inovadas. A cultura germânica emergiu com força através de bailes típicos, danças folclóricas, gastronomia, entre outras manifestações. A Festa das Flores foi conquistando espaços na imprensa em nível nacional através de amplo trabalho de divulgação para atrair turistas, cuja continuidade é atualmente de responsabilidade da Promotur – Fundação de Planejamento e Promoção Turística de Joinville. Ao longo dos anos a Festa das Flores conquistou alto conceito entre o meio empresarial de Joinville, obtendo patrocínios para cobrir os custos, principalmente da mídia. No rol dos patrocinadores destacam-se Cônsul, Embraco, Carrocerias Nielson, Hansen, Tupy, Bamerindus, Amanco, Krona, entre outros.
Em 2005, a grande virada
Desde o início da década de 2000, verificava-se a necessidade de inovações para a reconquista do público à Festa das Flores. Assim, Prefeitura, Promotur e AJAO decidiram pela suspensão da cobrança de ingresso e já na 68ª Festa das Flores constatou-se a grande diferença. De 34 mil visitantes, em 2005, este número subiu para 155 mil em 2006 e para 156 mil felizes visitantes em 2007.

Destaque e prêmios
A Festa das Flores, segundo pesquisas é a mais antiga do gênero no Brasil. Seu forte apelo turístico, devido às suas características rendeu diversos prêmios ao longo dos anos, alguns com destaque especial. Em 1982 a Festa das Flores foi “Destaque Artístico do Turismo Nacional”, premiação do Jornal Última Hora do Rio de Janeiro. No ano 1991 a festa recebeu o Prêmio Imprensa Turismo – PIT, como Evento de Destaque Turístico, promoção do Jornal do Commercio e Associação brasileira de Jornalistas de Turismo do Rio de Janeiro. Em 2007 o “Swiss Tourism Awards 2007”, conhecido como "Oscar" suíço do turismo, reconheceu Joinville como "Cidade das Flores, destinação de forte vocação turística", na categoria "Patrimônio a ser protegido".

Galeria de patronos
A tradição de homenagear uma personalidade como patrono tornou-se um item obrigatório na abertura de cada edição da festa. Importantes figuras nacionais desfilaram por este cenário:
1966 - Mal. Humberto de Alencar Castelo Branco, presidente da República
1971 - Márcio de Souza e Mello – ministro da Aeronáutica
1973 - Jarbas Passarinho, ministro da Educação e Cultura
1974 - Burle Marx, famoso paisagista brasileiro
1975 - Paulo Azevedo Berutti, presidente do Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal – IBDF
1978 - Juarez Machado, artista joinvilense
1979 - Jorge Bornhausen, governador de Santa Catarina
1980 - Roberto Marinho, proprietário da Rede Globo
1985 - Paulo Ewald, presidente da AJAO por 17 anos
1986 - Walter gerenfus, embaixador da Alemanha
1987 - Raul Schmidt, diretor da Tupy
1988 - Pedro Ivo Campos, governador de Santa Catarina
1989 - Oswaldo Roberto Colin, presidente do Banco do Brasil
1990 - José Henrique Carneiro de Loyola, Secretário de Estado da Indústria e Comércio
1991 - Antônio Carlos Konder Reis , governador em Exercício
1993 - Hugo Miguel Hitenique – presidente da Embraco
1994 - Edgar Meister, presidente da Ass. Industrial de Joinville
1995 - Paulo Afonso Vieira, governador de Santa Catarina
1998 - Osvaldo Moreira Douat – presidente da FIESC
1999 - Rafael Greca, ministro de Turismo e Esportes
2000 - Nelson Jobim, ministro do Supremo Tribunal Federal
2001 - Madame Mercier, representante de Joinville-Le-Pont, cidade - irmã de Joinville na França
2002 - Ronal Degen, presidente da Amanco
2003 - Luiz Henrique da Silveira, governador de Santa Catarina
2004 - Domenico Demassi
2005 - Marco Antonio Tebaldi, prefeito de Joinville
2006 - Udo Döhler – Cônsul Honorário da Alemanha
2007 - Sérgio Rodrigues Alves – Secretário de Estado da Fazenda
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